Nº registo 127957
Relatório recentemente divulgado pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas provocou forte reacção por parte de líderes evangélicos, que acusam o organismo internacional de atentar contra a liberdade religiosa. O documento, elaborado pelo perito independente Victor Madrigal-Borloz, associa determinadas doutrinas religiosas tradicionais a possíveis violações dos direitos das pessoas LGBTQIA+.
Texto de Vanessa Ezequiel Lopes

A publicação do relatório motivou críticas de pastores evangélicos, que interpretaram o conteúdo como uma tentativa de silenciar princípios bíblicos.
César Vidal, considerou o documento uma expressão clara da “realidade anticristã” presente nas instituições internacionais.
Para o pastor Joarês Mendes, o cristianismo é baseado na adesão voluntária à fé e nunca impõe os seus princípios. “Não vejo como é que crenças cristãs poderiam violar direitos de quem quer que seja”, declarou, acrescentando que a liberdade religiosa deve ser preservada num Estado democrático.
Bruno Polez classificou como ofensiva a tentativa de associar fé cristã a desrespeito pelos direitos humanos, sublinhando que o amor cristão “é universal, mas não conivente com o pecado”. Já o pastor Geraldo Moysés alertou que, quando a diversidade exige uniformidade de pensamento, torna-se opressiva. “A liberdade religiosa não se limita ao espaço privado; ela deve incluir o direito de ensinar e viver publicamente a fé”, afirmou.
Apesar das críticas mais incisivas, o pastor Fábio Andrade adoptou um tom mais conciliador, rejeitando a ideia de uma perseguição institucionalizada à fé cristã. “A nossa maior força não está em gritar mais alto, mas em amar mais de perto”, disse, apelando ao diálogo e à reflexão entre os cristãos.
O relatório da ONU, apresentado em Genebra, sugere que discursos religiosos podem, em certos contextos, legitimar acções discriminatórias ou até violentas contra pessoas LGBT. O documento recomenda que os Estados adoptem políticas que previnam esse tipo de discurso, sem deixar de reconhecer que muitas tradições religiosas têm contribuído positivamente para a promoção dos direitos humanos.
As reacções nas comunidades cristãs destacam a tensão crescente entre a defesa dos direitos LGBTQIA+ e a preservação da liberdade de expressão e de religião.
Para os líderes evangélicos, o desafio está em manter a fidelidade aos ensinamentos bíblicos sem que isso seja confundido com intolerância ou discriminação.


