Arqueólogos descobrem pães de 1 300 anos com imagem de Jesus na Turquia

30 de Agosto, 2025

Nº registo 127957

Texto de Vanessa Ezequiel Lopes

Uma equipa de arqueólogos anunciou a descoberta de cinco pães carbonizados com cerca de 1 300 anos de idade num sítio arqueológico no sul da Turquia, oferecendo um vislumbre raro da vida religiosa e quotidiana das comunidades cristãs da época.

Os pães com marcas de cruz. 
Foto: Governo de Karadan
Os pães com marcas de cruz.
Foto: Governo de Karadan

Os artefactos foram encontrados na antiga cidade de Eirenópolis — hoje conhecida como Topraktepe, na província de Karaman — durante uma escavação coordenada pela Direcção do Museu de Karaman em colaboração com o Ministério da Cultura e Turismo turco.

O mais notável dos achados é um dos pães que preserva uma representação de Jesus Cristo num estilo iconográfico menos comum, descrito pelos especialistas como “Jesus semeador” ou agricultor, acompanhado por uma inscrição em grego que se traduz por “Com gratidão ao Jesus Abençoado”.

Os restantes quatro pães exibem impressões de cruzes de Malta, símbolos associados a práticas cristãs primitivas, o que sugere a possibilidade de terem servido como pães litúrgicos — talvez para a celebração da Eucaristia — numa época em que a fé estava intimamente ligada à vida comunitária e à agricultura local.
A preservação excecional destes pães deve-se a um processo de carbonização natural, em que o calor intenso e a falta de oxigénio transformaram a matéria orgânica em carvão, mantendo a forma e os detalhes superficiais intactos ao longo de séculos.

Especialistas afirmam que este tipo de descoberta é extremamente raro e que estes objetos oferecem uma janela para as práticas religiosas e a cultura material do cristianismo na Anatólia medieval. Investigadores planeiam agora análises mais profundas, incluindo estudos microscópicos e químicos que poderão revelar dados sobre os ingredientes utilizados, as técnicas de fabrico e o contexto ritual em que os pães eram empregados.

O sítio de Topraktepe, reconhecido pelas suas camadas arqueológicas que datam desde a Antiguidade Tardia até à Idade Média, continua a surpreender os investigadores com vestígios que combinam aspectos da vida quotidiana e da devoção religiosa.

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